Era como num filme: centro da cidade à noite, plena terça-feira.
Meu vestido era para a festa, não era feito para mim, mas ninguém havia usado aquele modelo. Sapatos altíssimos nas mãos enquanto usava sandálias rasteiras nos pés. O restaurante, apesar de corriqueiro, era um dos meus favoritos.
-Você queria que seus amigos estivessem lá?
-Queria gente.
Abaixo a cabeça. Os olhos ardem, a garganta dá um nó. A garçonete surge e nos serve, no entanto, quando percebe que interrompe algo dá as costas sem terminar seu serviço.
Respiração pesada, uma tentativa frustrada de conter os pontinhos salgados de brotarem nos olhos.
Mas eles vieram, e bem pesados.
E então eu lembro de tudo o que aconteceu.
Da decepção no começo por entrar numa faculdade que não queria. A alegria por depois ter descoberto que era exatamente o que estava procurando.
Então eu lembro de quando matava aula para fazer nada. Do desespero antes das provas, os trabalhos sempre atrasados. Lembro daquela sensação que sentia ao poder sair da sala sem dar explicações, poder comer durante as aulas, poder fumar nos corredores.
Então eu lembro de como eu chegava tarde em casa. Das noites em que chovia e eu chegava absurdamente molhada. Dos dias de calor em que podiamos ir de Havaianas sem problema algum. É "fashion".
E eu lembro de todos os perrengues. De quando eu chorava por não ter grana pra comprar alguns materiais. Quando eu deixava a desejar nos trabalhos e me sentia péssima. De quando estava com tanto sono a ponto de não conseguir entender nada do que falavam.
E por último, eu me lembro de como cheguei tão sozinha até lá. Consegui entrar por mérito meu. Passei por todas as fases por mérito meu. Meus "10" e meu "Muito bom, isso é que é desenho!" foram todos conquistados por mim. Tudo o que fiz até hoje, fiz sozinha.
Eu chorei.
Um pouco por tranquilidade de ter batido mais uma meta. Mas, com certeza, mais por tristeza de estar mais uma vez "sozinha" numa noite que deveria ter pelo menos meia dúzia de pessoas.
Eu chorei.
Em pleno restaurante, numa noite de terça-feira, com os sapatos nas mãos e os olhos maquiados. Eu estava me sentindo estremamente sozinha, mas estava cheia de pessoas ao redor.
E assim foi minha comemoração quando me formei na faculdade.
Obrigada .
quinta-feira, setembro 16, 2010
segunda-feira, setembro 13, 2010
40 coisas para se fazer antes dos 30.
Marque em negrito as coisas que você já fez.
01 – Rir até chorar
02 – Encontrar com alguem da net
03 – Fazer uma tattoo
04 – Subir em um palco e dançar loucamente
05 – Fugir de casa
06 – Matar aula
07 – Ir à praia dizendo que esta de sunga/biquine estando de cueca/calcinha e sutiã
08 – Agarrar seu amor platônico
09 – Passar a noite em uma praia
10 – Comer em um restaurante e não pagar a conta
11 – Escutar a mesma música várias vezes
12 - Viajar para bem longe
13 – Fingir ser estrangeiro e falar um idioma que não existe
14 – Ficar com alguém 10 anos mais velho que você
15 – Sair de casa na sexta à noite e voltar na segunda de manhã
16 – Dormir com a roupa que saiu
18 – Ir pra escola louco
19 – Se apaixonar a 1ª vista
20 – Usar a melhor roupa pra ir ao mercado
21 – Fingir ser quem você não é
22 – Sair com o melhor amigo(a) do seu(a) ex
23 – Pintar o cabelo de uma cor absurda
24 – Chorar vendo um desenho
25 – Aprender a tocar algum instrumento
26 – Ter um diário secreto
27 – Beijar alguém que está passando
28 – Ir numa formatura de short e chinelo
29 – Roubar uma borracha em uma papelaria
30- Pegar carona com desconhecido
31 – Ir pra balada de ônibus e voltar também (“balada”, né)
32 – Dormir fora de casa
33 – Comprar o melhor celular e ser assaltado
34 – Passar trote
35 – Dormir pelado
36 – Chorar, chorar, chorar por alguém e depois dizer, ”next” se é pra eu chorar, não merece… não choro
37 – Comer com as mãos e ou por o garfo no pé para comer
38 – Fazer um vídeo
39 – Ter um msn ridículo
40- Ficar bêbado
roubado do http://danschettini.tumblr.com/
obrigada = )
01 – Rir até chorar
02 – Encontrar com alguem da net
03 – Fazer uma tattoo
04 – Subir em um palco e dançar loucamente
05 – Fugir de casa
06 – Matar aula
07 – Ir à praia dizendo que esta de sunga/biquine estando de cueca/calcinha e sutiã
08 – Agarrar seu amor platônico
09 – Passar a noite em uma praia
10 – Comer em um restaurante e não pagar a conta
11 – Escutar a mesma música várias vezes
12 - Viajar para bem longe
13 – Fingir ser estrangeiro e falar um idioma que não existe
14 – Ficar com alguém 10 anos mais velho que você
15 – Sair de casa na sexta à noite e voltar na segunda de manhã
16 – Dormir com a roupa que saiu
18 – Ir pra escola louco
19 – Se apaixonar a 1ª vista
20 – Usar a melhor roupa pra ir ao mercado
21 – Fingir ser quem você não é
22 – Sair com o melhor amigo(a) do seu(a) ex
23 – Pintar o cabelo de uma cor absurda
24 – Chorar vendo um desenho
25 – Aprender a tocar algum instrumento
26 – Ter um diário secreto
27 – Beijar alguém que está passando
28 – Ir numa formatura de short e chinelo
29 – Roubar uma borracha em uma papelaria
30- Pegar carona com desconhecido
31 – Ir pra balada de ônibus e voltar também (“balada”, né)
32 – Dormir fora de casa
33 – Comprar o melhor celular e ser assaltado
34 – Passar trote
35 – Dormir pelado
36 – Chorar, chorar, chorar por alguém e depois dizer, ”next” se é pra eu chorar, não merece… não choro
37 – Comer com as mãos e ou por o garfo no pé para comer
38 – Fazer um vídeo
39 – Ter um msn ridículo
40- Ficar bêbado
roubado do http://danschettini.tumblr.com/
obrigada = )
quinta-feira, setembro 02, 2010
I can
eu estou me sentindo uma revolt girl.
daquelas bem louconas que todo mundo adora, daquelas que todas as garotinhas que assistem querem copiar.
eu sou aquela que só faz o que quer.
eu sou daquelas que fuma um malboro vermelho enquanto dirige um carro conversivel do pai com uma cerveja em uma das mãos em alta velocidade numa via movimentada.
eu sou daquelas que fode uma menina ou outra na festa de formatura da escola, mas na verdade sabe que vai terminar a noite com o cara que ganhou o premio de principe do baile.
pq eu sou daquelas que não aceita qualquer coisa.
E eu nao tenho um bom relacionamento em casa. Meus pais brigam muito. Minhas roupas estao sempre amarrotadas, mas eu tenho uma cadela legal.
Eu sou daquelas que gosta de passar mais tempo sozinha pensando na vida do que ao lado de gente que eu nao necessariamente gosto.
eu sou daquelas que chora quando pensa em tudo que viveu. daquelas que tem algum disturbio alimentar inconfessavel.
eu sou daquelas que gosta de se esconder atras da máscara de forte e falar tudo o que vem a mente.
eu também sou daquelas que se encolhe no canto e chora descendo de costas pela porta.
eu sou daquelas que vive.
incondicionalmente.
sente tudo até o talo.
gargalho em alto e bom som quando sinto graça.
choro. esperneio. berro. corto os pulsos quando estou triste.
Eu sou a garota que mora ali do seu lado, e você pensa que a conhece muito bem, mas quando ela vira as costas ou quando está sozinha, se transforma em mil e uma.
Obrigada.
estou só vomitando palavras, coisas e afins.
daquelas bem louconas que todo mundo adora, daquelas que todas as garotinhas que assistem querem copiar.
eu sou aquela que só faz o que quer.
eu sou daquelas que fuma um malboro vermelho enquanto dirige um carro conversivel do pai com uma cerveja em uma das mãos em alta velocidade numa via movimentada.
eu sou daquelas que fode uma menina ou outra na festa de formatura da escola, mas na verdade sabe que vai terminar a noite com o cara que ganhou o premio de principe do baile.
pq eu sou daquelas que não aceita qualquer coisa.
E eu nao tenho um bom relacionamento em casa. Meus pais brigam muito. Minhas roupas estao sempre amarrotadas, mas eu tenho uma cadela legal.
Eu sou daquelas que gosta de passar mais tempo sozinha pensando na vida do que ao lado de gente que eu nao necessariamente gosto.
eu sou daquelas que chora quando pensa em tudo que viveu. daquelas que tem algum disturbio alimentar inconfessavel.
eu sou daquelas que gosta de se esconder atras da máscara de forte e falar tudo o que vem a mente.
eu também sou daquelas que se encolhe no canto e chora descendo de costas pela porta.
eu sou daquelas que vive.
incondicionalmente.
sente tudo até o talo.
gargalho em alto e bom som quando sinto graça.
choro. esperneio. berro. corto os pulsos quando estou triste.
Eu sou a garota que mora ali do seu lado, e você pensa que a conhece muito bem, mas quando ela vira as costas ou quando está sozinha, se transforma em mil e uma.
Obrigada.
estou só vomitando palavras, coisas e afins.
segunda-feira, agosto 23, 2010
e então sua boca esteve junto a minha mais uma vez ontem.
eu estava tão feliz
e o nosso beijo era apaixonado, como quando começamos.
e estavamos andando de maos dadas denovo.
e eu estufava o peito e pensava: "consegui"
e então eu relaxei os ombros, como quem sai duma guerra.
e sentamos à mesa na sua casa
como de costume
e eu me senti meio fora do ninho, mas estávamos juntos, estava tudo bem.
e suas mãos estavam em meu corpo denovo
e você dizia estar feliz
e eu estava plena...
mas agora, sou só eu e as lágrimas salgadas pelo rosto
porque agora é o fim de tudo...
eu estava tão feliz
e o nosso beijo era apaixonado, como quando começamos.
e estavamos andando de maos dadas denovo.
e eu estufava o peito e pensava: "consegui"
e então eu relaxei os ombros, como quem sai duma guerra.
e sentamos à mesa na sua casa
como de costume
e eu me senti meio fora do ninho, mas estávamos juntos, estava tudo bem.
e suas mãos estavam em meu corpo denovo
e você dizia estar feliz
e eu estava plena...
mas agora, sou só eu e as lágrimas salgadas pelo rosto
porque agora é o fim de tudo...
segunda-feira, agosto 16, 2010
2° dia
Segunda-feira. Poderia ser melhor?
Almocei.
Lavei minha louça.
Escovei meus dentes.
Voltei pro refeitório.
Peguei o celular: 11:30.
Os dedos já estavam no automático.
Telefoninho, "+", X, Xuxu, celular, Ligar Sim 2.
Mas hoje o ritual parou pela metade.
Então eu volto pra tela inicial e tento me concentrar na televisão.
Eu me pergunto como vc está. Se está trabalhando muito, se está nervoso. Se está com fome. Se está triste.
Uma vontade desesperada de sair correndo. Gritar!
Te dar uns tapas até você acordar.
E depois te beijar. Como nunca nos beijamos antes.
Por favor! Eu não aguento trocar frases hesitantes...
Por favor!
Almocei.
Lavei minha louça.
Escovei meus dentes.
Voltei pro refeitório.
Peguei o celular: 11:30.
Os dedos já estavam no automático.
Telefoninho, "+", X, Xuxu, celular, Ligar Sim 2.
Mas hoje o ritual parou pela metade.
Então eu volto pra tela inicial e tento me concentrar na televisão.
Eu me pergunto como vc está. Se está trabalhando muito, se está nervoso. Se está com fome. Se está triste.
Uma vontade desesperada de sair correndo. Gritar!
Te dar uns tapas até você acordar.
E depois te beijar. Como nunca nos beijamos antes.
Por favor! Eu não aguento trocar frases hesitantes...
Por favor!
domingo, agosto 15, 2010
1° dia
Daí então você acorda já procurando o outro corpo pra poder jogar seus braços e pernas por cima dele.
Daí então você abre os olhos e se depara com um travesseiro, mole e estático no lugar daquele corpo quente e macio.
Dai então você sente o cheiro e a saudade vem tão grande que parece que vai explodir.
Daí então você dá bom dia a você mesmo. Ou ao travesseiro. Mas antes você ouvia uma resposta sonolenta.
Daí você se aninha nas cobertas como se fosse no colo dele.
Daí você fecha os olhos e sente a primeira gota quente rolar.
É só a primeira do dia.
Daí você lembra da última semana em que estiveram juntos.
Lembra da última noite.
Do último bom dia.
Do último beijo.
Do último carinho.
Daí você pensa que poderia ter feito tudo diferente. Tudo MUITO diferente.
D-us... po favor, acalma meu coraçãozinho... que eu já sofri demais...
Daí então você abre os olhos e se depara com um travesseiro, mole e estático no lugar daquele corpo quente e macio.
Dai então você sente o cheiro e a saudade vem tão grande que parece que vai explodir.
Daí então você dá bom dia a você mesmo. Ou ao travesseiro. Mas antes você ouvia uma resposta sonolenta.
Daí você se aninha nas cobertas como se fosse no colo dele.
Daí você fecha os olhos e sente a primeira gota quente rolar.
É só a primeira do dia.
Daí você lembra da última semana em que estiveram juntos.
Lembra da última noite.
Do último bom dia.
Do último beijo.
Do último carinho.
Daí você pensa que poderia ter feito tudo diferente. Tudo MUITO diferente.
D-us... po favor, acalma meu coraçãozinho... que eu já sofri demais...
sábado, agosto 14, 2010
. . .
Estômago dói horrores. Mas não é bem ali que eu sinto dor de verdade...
Pra dizer ao certo, é um pouquinho mais acima, um pouquinho mais pra esquerda. Mais ou menos um ou dois dedos abaixo do peito esquerdo.
Isso mesmo, é bem ali.
E é como eu disse.
Antes eu era absoluta.
Hoje sou só mais uma.
Estou tão ou mais sozinha do que nunca.
"E gotas de chuva caem
da maçã do meu rosto."
Eu sempre fui apenas as reticências pra vc.
Pra dizer ao certo, é um pouquinho mais acima, um pouquinho mais pra esquerda. Mais ou menos um ou dois dedos abaixo do peito esquerdo.
Isso mesmo, é bem ali.
E é como eu disse.
Antes eu era absoluta.
Hoje sou só mais uma.
Estou tão ou mais sozinha do que nunca.
"E gotas de chuva caem
da maçã do meu rosto."
Eu sempre fui apenas as reticências pra vc.
domingo, julho 25, 2010
justbeathe .
piegas até o último fio de cabelo.
só estou triste num domingo a noite.
só estou sozinha num domingo a noite.
só estou me sentindo absurdamente sozinha e jogada num domingo a noite.
eu era absoluta em tempos atrás.
agora pareço ser alguém.
e só.
e repito a escrever:
piegas (e previsível) até o último fio de cabelo.
só estou triste num domingo a noite.
só estou sozinha num domingo a noite.
só estou me sentindo absurdamente sozinha e jogada num domingo a noite.
eu era absoluta em tempos atrás.
agora pareço ser alguém.
e só.
e repito a escrever:
piegas (e previsível) até o último fio de cabelo.
domingo, junho 20, 2010
não conformismo
Quando mais nova, eu costumava fazer uma brincadeira juntando todas as frases mais legais e mais marcantes que eu ouvi nos últimos tempo.
Hoje vou fazer uma listinha das frases que gostaria de ter ouvido.
"Eu te amo"
eu me conformo. mas que dói, dói.
Hoje vou fazer uma listinha das frases que gostaria de ter ouvido.
"Eu te amo"
eu me conformo. mas que dói, dói.
sexta-feira, abril 23, 2010
quinta à noite
cortei meus cabelos
comi um hamburguer inteiro sozinha
quero colocar tudo pra fora, mas sei que não devo
estou na quarta latinha, sem previsão de parar
quero dormir
dormir
dormir
compulsão maldita, vá embora!
comi um hamburguer inteiro sozinha
quero colocar tudo pra fora, mas sei que não devo
estou na quarta latinha, sem previsão de parar
quero dormir
dormir
dormir
compulsão maldita, vá embora!
quarta-feira, abril 21, 2010
Coisas
Segurou-a com força pra machucar. Seus dedos, longos e ágeis, apertavam o braço e quase deixavam marcas na pele, se esta não estivesse tão marcada pelo sol. A raiva naquele gesto era enorme, não o faria se não fosse.
Desde quando estavam assim tão distantes? Desde quando não trocavam mais confidências e tampouco olhares de reprovação ou desapontamento por atitudes tomadas? Algo tinha morrido por ali, e não era só o filhotinho da cadela que tem em casa.
Pensou por alguns segundos em bons e maus momentos juntos. Mais maus do que bons, confesso, mas ainda assim eles tiveram momentos juntos, inegável. Pensou também em como seria dali adiante, em como conseguiria continuar no 'improviso' da vida sem aquela que seria sua quase diretora, e vice versa.
Imaginou estar com o rosto vermelho, ficava assim quando aflito ou envergonhado; mas não costumava ter vergonha de muitas coisas. Sentiu seu peito batendo. O coração querendo rasgar a maldita pele e saltar no colo da mulher em frente. Sua língua estava quente e seca devido a rápida discussão de alguns momentos atrás. Os olhos, claros em quase toda a íris, fixados, imóveis.
-Em quem você se transformou?
O braço ardia. A pele, recém bronzeada, queimava e começava a latejar devagar. Seus dedos fechados em punho tentavam demonstrar a força que sempre acreditou ter e que fazia questão de deixar transparecer; pensava que a tinha.
Queria sair dali, sumir, desaparecer, como nas conversas que tinham sobre fugir de algum lugar sem serem percebidos. Seus óculos, escuros, deixavam guardadas as lágrimas quentes na beirada dos olhos; bem nas beiradas.
Os dentes trincados, o rosto emburrado. Não estava necessariamente feliz, seu improviso não estava dando certo. A respiração agitada, os pulmões que pediam mais ar, mas este, ao invés de dar-lhe vida, levou-a a outros caminhos.
-Você quer dizer 'no que'.
Apertou-a mais, e pôde ver o desconforto do braço aumentando. Ficou satisfeito, mas ainda tentava digerir a resposta.
Lembrou das últimas semanas. Seu coração doeu e seus olhos marejaram. Sentiu um aperto vindo de não sei onde e permitiu que seus dedos se afrouxassem.
Algo ainda existia ali dentro. Dentro dos dois. Poderia ser só indignação e orgulho - sempre ele! -, mas existia.
Sua voz, rouca e falhada, queria explodir em desaforos e verdades doloridas, doídas demais para serem ditas a alguém que se quer bem; ou quase isso. Poderia encostá-la na parede e lhe dar uns bons tabefes. Ela aceitaria de bom grado! Mas em algum lugar debaixo de toda aquela arrogância e sarcasmo existia o par de bons programas de sábado a noite. Ele sabia que ainda existia!
-Você é um objeto agora?
Soltou um belo sorriso, de canto a canto dos lábios. Puxou o braço com rapidez suficiente para se sentir liberta. A pele exibia marcas que não eram as causadas pelo sol. Vermelhas demais. Doloridas demais. Levou a mão ao braço machucado e deixou as lágrimas correrem soltas pelo rosto. Doía. Céus, como doía! Mas não era o braço, era em outro lugar.
Sorriso e lágrimas não deveriam estar juntos na mesma face e ao mesmo tempo, mas ninguém havia dito isto a ela.
Deu um ou dois passos para trás, não agüentaria outro agarrão feito aquele.
Respirou. Fundo e calmo afim de parar com os soluços do choro. Parou. A boca, começando a ficar entreaberta, denunciava alguma resposta que chegaria feito chicote aos ouvidos. Mas não aos dela.
-Sou.
Soou seco, indiferente.
Tirou seus anéis um por um e jogou-os contra ele. Um por um.
-Coisa... - Jogou as pulseiras, - Coisa... - e os brincos, - Coisa. - o lenço que enfeitava seus cabelos, - Coisa. - e até seus óculos. - Coisa.
Estava à beira do ataque. Um parecido com o que teve quando se conheceram.
Gargalhou enlouquecidamente, engasgou e voltou a rir. Louca. Suas unhas, longas e bem feitas, apertavam a palma de suas mãos e faziam mais marcas naquele corpo já tão cheio delas.
Olhou-o. Estático. Fitava-a num sem-expressão que a deixou desesperada. Suas 'coisas' jogadas no chão gelado. Bens preciosos. Deu mais alguns passos para trás. Torceu o pé e quase caiu. Tirou as sandálias.
-Coisa!
Arremesou-as no alvo bem à frente. A primeira não acertou, parou longe. A segunda atingiu bem na boca. Assim ficaria quieto.
Uma fisgada no lábio inferior fez com que ele percebesse que se feriu, mas não se importou. Não era ali que doía. Se moveu lentamente em direção à sua agressora. Lentamente. Conseguiu chegar perto o suficiente para abracá-la sem que ela pudesse recuar ou fugir.
Apertou bem forte. Sentiu o corpo dela junto ao seu. As respirações agitadas. As peles arrepiadas. O Choro. Apertou-a contra o corpo, como se a protegesse, como se não a visse a anos. Mas não se viam a algumas horas, só.
Sentiu sua cintura ser envolta por braços. Braços queimados de sol e com algumas marcas de dedos, vermelhas ainda. Seu queixo apoiou-se na cabeça dela. Os corações batendo em ritmos diferentes, mas ainda assim, juntos.
-Rendida.
E as lágrimas de ambos se misturaram ao sangue, e às marcas, e à chuva que começava a cair.
Escrito a algum tempo atrás.
Gosto de muita marcação e poucas falas.
Desde quando estavam assim tão distantes? Desde quando não trocavam mais confidências e tampouco olhares de reprovação ou desapontamento por atitudes tomadas? Algo tinha morrido por ali, e não era só o filhotinho da cadela que tem em casa.
Pensou por alguns segundos em bons e maus momentos juntos. Mais maus do que bons, confesso, mas ainda assim eles tiveram momentos juntos, inegável. Pensou também em como seria dali adiante, em como conseguiria continuar no 'improviso' da vida sem aquela que seria sua quase diretora, e vice versa.
Imaginou estar com o rosto vermelho, ficava assim quando aflito ou envergonhado; mas não costumava ter vergonha de muitas coisas. Sentiu seu peito batendo. O coração querendo rasgar a maldita pele e saltar no colo da mulher em frente. Sua língua estava quente e seca devido a rápida discussão de alguns momentos atrás. Os olhos, claros em quase toda a íris, fixados, imóveis.
-Em quem você se transformou?
O braço ardia. A pele, recém bronzeada, queimava e começava a latejar devagar. Seus dedos fechados em punho tentavam demonstrar a força que sempre acreditou ter e que fazia questão de deixar transparecer; pensava que a tinha.
Queria sair dali, sumir, desaparecer, como nas conversas que tinham sobre fugir de algum lugar sem serem percebidos. Seus óculos, escuros, deixavam guardadas as lágrimas quentes na beirada dos olhos; bem nas beiradas.
Os dentes trincados, o rosto emburrado. Não estava necessariamente feliz, seu improviso não estava dando certo. A respiração agitada, os pulmões que pediam mais ar, mas este, ao invés de dar-lhe vida, levou-a a outros caminhos.
-Você quer dizer 'no que'.
Apertou-a mais, e pôde ver o desconforto do braço aumentando. Ficou satisfeito, mas ainda tentava digerir a resposta.
Lembrou das últimas semanas. Seu coração doeu e seus olhos marejaram. Sentiu um aperto vindo de não sei onde e permitiu que seus dedos se afrouxassem.
Algo ainda existia ali dentro. Dentro dos dois. Poderia ser só indignação e orgulho - sempre ele! -, mas existia.
Sua voz, rouca e falhada, queria explodir em desaforos e verdades doloridas, doídas demais para serem ditas a alguém que se quer bem; ou quase isso. Poderia encostá-la na parede e lhe dar uns bons tabefes. Ela aceitaria de bom grado! Mas em algum lugar debaixo de toda aquela arrogância e sarcasmo existia o par de bons programas de sábado a noite. Ele sabia que ainda existia!
-Você é um objeto agora?
Soltou um belo sorriso, de canto a canto dos lábios. Puxou o braço com rapidez suficiente para se sentir liberta. A pele exibia marcas que não eram as causadas pelo sol. Vermelhas demais. Doloridas demais. Levou a mão ao braço machucado e deixou as lágrimas correrem soltas pelo rosto. Doía. Céus, como doía! Mas não era o braço, era em outro lugar.
Sorriso e lágrimas não deveriam estar juntos na mesma face e ao mesmo tempo, mas ninguém havia dito isto a ela.
Deu um ou dois passos para trás, não agüentaria outro agarrão feito aquele.
Respirou. Fundo e calmo afim de parar com os soluços do choro. Parou. A boca, começando a ficar entreaberta, denunciava alguma resposta que chegaria feito chicote aos ouvidos. Mas não aos dela.
-Sou.
Soou seco, indiferente.
Tirou seus anéis um por um e jogou-os contra ele. Um por um.
-Coisa... - Jogou as pulseiras, - Coisa... - e os brincos, - Coisa. - o lenço que enfeitava seus cabelos, - Coisa. - e até seus óculos. - Coisa.
Estava à beira do ataque. Um parecido com o que teve quando se conheceram.
Gargalhou enlouquecidamente, engasgou e voltou a rir. Louca. Suas unhas, longas e bem feitas, apertavam a palma de suas mãos e faziam mais marcas naquele corpo já tão cheio delas.
Olhou-o. Estático. Fitava-a num sem-expressão que a deixou desesperada. Suas 'coisas' jogadas no chão gelado. Bens preciosos. Deu mais alguns passos para trás. Torceu o pé e quase caiu. Tirou as sandálias.
-Coisa!
Arremesou-as no alvo bem à frente. A primeira não acertou, parou longe. A segunda atingiu bem na boca. Assim ficaria quieto.
Uma fisgada no lábio inferior fez com que ele percebesse que se feriu, mas não se importou. Não era ali que doía. Se moveu lentamente em direção à sua agressora. Lentamente. Conseguiu chegar perto o suficiente para abracá-la sem que ela pudesse recuar ou fugir.
Apertou bem forte. Sentiu o corpo dela junto ao seu. As respirações agitadas. As peles arrepiadas. O Choro. Apertou-a contra o corpo, como se a protegesse, como se não a visse a anos. Mas não se viam a algumas horas, só.
Sentiu sua cintura ser envolta por braços. Braços queimados de sol e com algumas marcas de dedos, vermelhas ainda. Seu queixo apoiou-se na cabeça dela. Os corações batendo em ritmos diferentes, mas ainda assim, juntos.
-Rendida.
E as lágrimas de ambos se misturaram ao sangue, e às marcas, e à chuva que começava a cair.
Escrito a algum tempo atrás.
Gosto de muita marcação e poucas falas.
domingo, abril 18, 2010
Não trabalho, logo rabisco coisas.
Primeira vez
pela primeira vez as coisas mudaram
e eu não em entristeci, nem chorei por besteira
"a batata estava fria", mas eu a comi mesmo assim
pela primeira vez as coisas mudaram
e quem sofreu foi o namorado
falta de paciência e mal humor
eu Tava Puta Mesmo.
e eu não em entristeci, nem chorei por besteira
"a batata estava fria", mas eu a comi mesmo assim
pela primeira vez as coisas mudaram
e quem sofreu foi o namorado
falta de paciência e mal humor
eu Tava Puta Mesmo.
domingo, abril 04, 2010
Tempo
Então...
hoje completam não sei quantos anos desde que conheci um certo grupo de amigos.
E desse grupo se sobresaiu um.
E esse um se tornou único.
E único.
E absoluto.
Até que o tempo, o vento e o tempo denovo o levaram embora (graças!).
O que quero contar
é que hoje, Páscoa, eu conheci algumas pessoas que estiveram presentes em uma parte boa da minha vida. Mesmo que não estivessem aqui, presentes de fato, mas eram deles meus fins de semana.
Sinto saudade das pessoas, não da época. Mas enfim...
Feliz Páscoa, monstrinhos.
Comam seus ovinhos e depois vão correr pra gastar tudo.
Enquanto isso eu me descabelo pra monografia . . . = (
hoje completam não sei quantos anos desde que conheci um certo grupo de amigos.
E desse grupo se sobresaiu um.
E esse um se tornou único.
E único.
E absoluto.
Até que o tempo, o vento e o tempo denovo o levaram embora (graças!).
O que quero contar
é que hoje, Páscoa, eu conheci algumas pessoas que estiveram presentes em uma parte boa da minha vida. Mesmo que não estivessem aqui, presentes de fato, mas eram deles meus fins de semana.
Sinto saudade das pessoas, não da época. Mas enfim...
Feliz Páscoa, monstrinhos.
Comam seus ovinhos e depois vão correr pra gastar tudo.
Enquanto isso eu me descabelo pra monografia . . . = (
sábado, abril 03, 2010
Sobre o silêncio
Quem procura acha
É muito melhor ficar quieto
É muito mais conveniente não perguntar sobre sentimentos
É pro seu próprio bem.
Eu sou paciente.
Eu agradeço o carinho e retribuo.
Retribuo dando o melhor de mim.
Não estou me sentindo enganada, não mais.
Não é platonismo, obsessão, paixão.
Acho sereno, real.
Eu agradeço.
Obrigada. Obrigada.
É muito melhor ficar quieto
É muito mais conveniente não perguntar sobre sentimentos
É pro seu próprio bem.
Eu sou paciente.
Eu agradeço o carinho e retribuo.
Retribuo dando o melhor de mim.
Não estou me sentindo enganada, não mais.
Não é platonismo, obsessão, paixão.
Acho sereno, real.
Eu agradeço.
Obrigada. Obrigada.
segunda-feira, março 29, 2010
tecnologia
Aquele papo de chips no cérebro.
Todo mundo diz que é coisa do capeta e tal.
Na verdade tem mta gente que até ia gostar, imagina só: você pensa em algo e esse chip transmite esse pensamento pro satélite e bazzinga!!!, você acaba da postar no seu blog, fotolog, twitter, e no que mais der na telha. Um bando de blogueiro ia adorar.
Confesso que eu também.
Porque muita coisa se perde no caminho de casa.
E muita coisa se perde no caminho da cabeça até as pontas dos dedos...
Segunda chuvosa e muito tempo ocioso.
Todo mundo diz que é coisa do capeta e tal.
Na verdade tem mta gente que até ia gostar, imagina só: você pensa em algo e esse chip transmite esse pensamento pro satélite e bazzinga!!!, você acaba da postar no seu blog, fotolog, twitter, e no que mais der na telha. Um bando de blogueiro ia adorar.
Confesso que eu também.
Porque muita coisa se perde no caminho de casa.
E muita coisa se perde no caminho da cabeça até as pontas dos dedos...
Segunda chuvosa e muito tempo ocioso.
domingo, março 28, 2010
Just Dance
Las Vegas.
Estou no auge da "efervecência"!
Ô, Cândido!
---
20 anos. Carioca por opção. Estilista.
Penso, logo não durmo.
Não durmo, logo rabisco coisas.
Sejam elas desenhos ou textos.
Com sentido ou não.
Eu entendo as entrelinhas, por isso vivo tanto nelas.
Com a paixão dum amor-balão "recém" inflado.
Penso. Escrevo. Vomito.
Obrigada = )
Estou no auge da "efervecência"!
Ô, Cândido!
---
20 anos. Carioca por opção. Estilista.
Penso, logo não durmo.
Não durmo, logo rabisco coisas.
Sejam elas desenhos ou textos.
Com sentido ou não.
Eu entendo as entrelinhas, por isso vivo tanto nelas.
Com a paixão dum amor-balão "recém" inflado.
Penso. Escrevo. Vomito.
Obrigada = )
Assinar:
Postagens (Atom)

